1001 caras
Pensou que personagem seria naquele fim de dia. Deixou-se sentado a pensar como fazia desde que se lembrava de existir. Cair nas graças da imaginação era para ele o conforto de todos os dias. Seria falta de personalidade? Ele gostava de pensar que não. Seria fraco? Muito pelo contrário, tinha a força de contornar a individualidade asfixiante de um só corpo. Seria real ou viveria ele dos intervalos das personagens? Seria ele quando não era ninguém? Ou seria ele no limbo que separa as novas escolhas? Acho que seria um eterno purgatório entre infernos e paraísos, entre igrejas e sinagogas, entre maternidades e cemitérios, entre preto e branco e entre tudo e nada. Era viver cheio de tudo, mas um tudo fabricado ilegalmente a partir de todo o nada.
Ele acredita que é mais... é feliz aqui é feliz ali e amanha já não se lembra, já é outro aqui.

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