Amanhã ao acordar

Amanhã ao acordar, talvez nada disto....

sábado, 29 de março de 2008

Sempre!

Como em todas as manhas, também nas tardes e ao tardar das horas, sempre que o caminho me levava aquela tão estreita rua o pensamento parava no pensar de uma vida. Na mesma janela de sempre, de caixilhos vermelho lascado, cortinas amareladas e vidros envelhecidos sempre o mesmo velho. O olhar sempre no mesmo lado da rua, o triste ar de pensamentos saudosos na sempre igual expressão de quem vive nos dias que já não vivem. Podia ser na chuva, podia ser nos dias iguais de verão, sempre. Sempre o mesmo ar, a mesma posição e o mesmo pensar por detrás dos óculos pesados e acastanhados que vão escondendo o olhar sempre igual e indiferente. Aquela cena passou a ser parte da rua para todos aqueles que ao longo dos anos ai passaram. Sempre igual. Sempre igual.

Sol no céu, cheiro a terra molhada e a brisa de sempre na tal rua estreita de sempre. E ao passar na janela de caixilhos vermelho lascado, cortinas amareladas e vidros envelhecidos o velho de sempre não olhava para o passado no outro lado da rua. Veio a chuva, o frio, o sol, a chuva, o sol, o vento quente, o frio, a chuva. Passou o tempo como sempre. A janela nunca mais abriu. O velho fechou para sempre e tudo continuou como sempre.

1 Comentários:

  • Às 19 de abril de 2008 17:29 , Blogger Placa de Vídeo disse...

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